FRONTEIRAS:

VI Seminário Internacional do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFSCar.


O VI Seminário Internacional do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFSCar tem por objetivo reunir pesquisadores nacionais e internacionais para promover o debate sobre as diversas áreas da Sociologia Contemporânea, assim como possibilitar aos alunos de graduação e pós-graduação uma discussão aprofundada das temáticas e de seus projetos de pesquisa.

A edição deste ano terá como tema central as Fronteiras, sejam estas epistemológicas, simbólicas, políticas, identitárias, entre outras. A fronteira, um conceito de múltiplos significados, pode ser compreendida como um limite de separação, mas também como uma linha que sinaliza possibilidades de avanço e de movimentação. Mais do que isso, a fronteira pode nos indicar a oportunidade de diálogo nas diferenças e o estabelecimento de novos campos.

Ao discutirmos fronteiras precisamos nos atentar às suas perturbadoras possibilidades, que na maioria das vezes envolvem conflitos, muitos contrastes e disputas desiguais. Desta forma, uma definição sociológica de fronteira enquanto lugar de interação tenderá a assumir um valor crítico, que perceba os espaços inabitáveis, a exclusão, as formas de violência e as relações de poder¹.

Se considerarmos a natureza não monolítica das diferenças, e se não perdermos de vista que toda enunciação é híbrida desde o início, veremos que há nas fronteiras um potencial para o estabelecimento de novas configurações. Bhabha (1994) se utiliza da noção de ambivalência para caracterizar os processos provenientes do encontro das diferenças. De acordo com ele, ainda que existam diferenciações em relação ao outro, há também simultaneamente a incorporação desse outro dentro do mesmo. Essa perspectiva desloca a noção de relações binárias/antagônicas entre totalidades (já acabadas), abrindo espaço para a indeterminação. Ou seja, de acordo com Bhabha, o fundamental no encontro das diferenças é o entre-meio, o que se revela no espaço mesmo das relações².

O seminário é particularmente aberto a abordagens emergentes sobre temas fronteiriços, tais como novos conflitos sociais, diferenças de gênero, sexualidade, raça/etnia, assim como outras formas de desigualdade, deslocamentos, processos migratórios, territorialidades e mobilidades, religiosidades, sustentabilidade, transformações no trabalho e nas profissões, violência, novas articulações entre teoria e empiria, novas configurações do Estado e formas de governança, além de revisões teóricas a partir dos desafios de pesquisa do presente. Aliás, uma característica importante do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFSCar é justamente o fomento de debates sociológicos com enfoque em abordagens contemporâneas, não canônicas. Essa tem sido a tônica do grupo de pesquisadores desde o surgimento do programa há 10 anos.

Em 2017, portanto, o seminário também terá como tema privilegiado a comemoração de uma década do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFSCar. Na ocasião, realizaremos debates em torno das principais produções do corpo docente da instituição, inserindo-as no contexto nacional de produção sociológica.

¹RIBEIRO (2001): “A retórica dos limites. Notas sobre o conceito de fronteira”, in B. Santos (org.), Globalização: fatalidade ou utopia?, Porto, Afrontamento, pp. 463-488; RIBEIRO (2005): “A tradução como metáfora da contemporaneidade. Pós-colonialismo, fronteiras e identidades”, in A. G. Macedo e M. E. Keating (orgs.). Colóquio de Outono: Estudos de tradução. Estudos Pós-Coloniais, Braga, Universidade do Minho, pp. 77-87.
²BHABHA, H. (1994), The Location of Culture, Londres e Nova Iorque, Routledge.